Matéria publicada no Jota, em 30 de abril de 2026 – Reprodução
SAÚDE SUPLEMENTAR
RN 649 abre caminho para expansão das autogestões, diz presidente da UNIDAS
O presidente da UNIDAS – Autogestão em Saúde, Mário Jorge da Cruz Vital, avalia que a entrada em vigor da resolução que atualiza as regras para o setor abrirá espaço para expansão e, sobretudo, oportunidade para renovação da carteira das empresas do setor. A regra, instrução normativa aprovada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar e que recebeu o número 649, passa a vigorar em 1º de julho. “Nós temos um grau de otimismo, mas muito pé no chão”, disse, em entrevista ao JOTA.
Entre os destaques da RN está o multipatrocínio. Pela nova regra, empresas ou instituições de setores poderão participar de uma mesma operação de autogestão ou se unir para criar uma entidade do tipo, sem a exigência de correlação entre suas atividades econômicas. Vital observa que a flexibilização permite que empresas ingressem em entidades já estabelecidas, evitando, assim, que novos empregadores tenham de estruturar uma autogestão do zero, assumindo isoladamente os riscos e os custos de implantação. Além disso, a entrada de novos patrocinadores tende a gerar “oxigenação de carteira”, diluição de risco e melhora das condições operacionais.
Crescimento econômico
A mudança também amplia o público potencial das autogestões. A norma permite a inclusão de servidores públicos ativos ou aposentados e de familiares até o quarto grau de parentesco nos planos já existentes. Além disso, autoriza a reunião de diferentes categorias profissionais e múltiplos patrocinadores em uma mesma operação.
Apesar da expectativa de crescimento, Vital diz não haver, ainda, uma estimativa sobre qual será a expansão. Para ele, o avanço dependerá do crescimento econômico, da geração de empregos formais e da pressão dos custos dos planos de saúde convencionais sobre as empresas. Nesse cenário, a autogestão pode ganhar espaço como alternativa de assistência à saúde com maior controle de governança e potencial de redução de custos.
Compartilhamento
Vital afasta o risco de que a rede de atendimento não seja suficiente para suprir o esperado aumento da demanda. Para ele, a capilaridade do modelo já exige atendimento em diferentes regiões do país, conforme a distribuição dos beneficiários. O presidente da UNIDAS observa ainda que a possibilidade de compartilhamento de rede também pode auxiliar em caso de necessidade: se uma operadora não tiver cobertura própria em determinada localidade, poderá se conectar a outra autogestão com rede disponível para garantir o atendimento.



